deputado Sóstenes Cavalcante
Leonardo Prado/ Câmara
deputado Sóstenes Cavalcante


A operação deflagrada nesta hoje pela Polícia Federal contra o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o deputado federal Carlos Jordy é resultado de uma investigação iniciada há cerca de um ano. As apurações começaram após o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra assessores parlamentares, o que levou ao aprofundamento das diligências.

Com o avanço da investigação, os agentes federais identificaram indícios de um suposto esquema de desvio de recursos públicos vinculados à cota parlamentar.


Contratos de fachada são o principal foco

Segundo a Polícia Federal, a suspeita central envolve o uso irregular da cota parlamentar por meio de contratos considerados falsos com empresas de locação de veículos. O mecanismo teria sido utilizado para simular despesas oficiais e, assim, viabilizar pagamentos indevidos com recursos públicos. Os investigadores apuram se os contratos não correspondiam à prestação efetiva dos serviços declarados.

Mandados cumpridos em três estados

Na primeira fase da investigação, realizada no ano passado, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Tocantins e no Distrito Federal. De acordo com a corporação, há indícios de que parlamentares, assessores e empresários tenham estabelecido um “acordo ilícito para o desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares”. Os fatos investigados podem configurar crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Despesas acima da média chamaram atenção

Os gastos declarados por Sóstenes Cavalcante com aluguel de veículos despertaram suspeitas por estarem significativamente acima do padrão observado entre outros deputados federais. Apenas em um ano, o parlamentar informou despesas superiores a R$ 137,9 mil com esse tipo de serviço.

O valor é quase o dobro da média registrada na Câmara dos Deputados, que ficou em torno de R$ 76,8 mil, segundo dados do Portal da Transparência.

Líder do PL nega irregularidades

Ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica e atual líder do PL — partido que detém a maior bancada da Câmara —, Sóstenes Cavalcante afirmou não temer a investigação e negou qualquer irregularidade. O deputado também sugeriu que a operação possa ter motivação política.

 O deputado disse que não tem nada a esconder. Podem investigar tudo o que quiserem. 

Carlos Jordy também é investigado

O deputado federal Carlos Jordy (RJ) também é alvo da operação da Polícia Federal. Ele disputou a Prefeitura de Niterói nas eleições municipais do ano passado.

A Polícia Federal segue analisando os documentos, equipamentos e materiais apreendidos para esclarecer a dimensão do suposto esquema e a participação individual de cada investigado.

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