sessão da Câmara
Câmara dos Deputados
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Eduardo Cunha chegou à eleição de 2026 como uma dos campeões de votos do Republicanos em Minas Gerais para voltar à Câmara dos Deputados. O ex-presidente da Casa mobilizou lideranças políticas e religiosas, ampliou sua presença no estado por meio de clubes de futebol, emissoras de rádio e buscou aproximação com o grupo bolsonarista. Nas urnas, porém, o projeto não se concretizou. Cunha recebeu pouco mais de 32 mil votos e ficou fora do Congresso.

Depois da apuração, o ex-presidente da Câmara deixou de aparecer com a mesma frequência no circuito político e social de Belo Horizonte (MG), especialmente em eventos, em suas rádios e nos restaurantes da região da Savassi.

Cunha teve papel central na articulação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Para tentar retornar ao Congresso, contou durante a campanha com o apoio de antigos parlamentares mineiros e postores ligados ao bolsonarismo. Entre os nomes citados estavam  os ex depitados Glauco Terra Pinto Filho, Iran Barbosa e o ex- Câmara de vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães, além de pastores e lideranças de igrejas evangélicas.

Apesar da estrutura construída para a campanha, a votação ficou abaixo do necessário para assegurar seu retorno à Câmara.


A batalha começou antes das urnas

A candidatura de Eduardo Cunha foi marcada desde o início por uma disputa jurídica. O ex-presidente da Câmara tentou reconstruir sua carreira política longe do Rio de Janeiro, onde construiu sua trajetória parlamentar, mas encontrou obstáculos na Justiça Eleitoral.

Em 3 de setembro, por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) indeferiu o registro da candidatura de Cunha e considerou que ele permanecia inelegível até 2027 em razão da cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, em 2016.

O tribunal também considerou inaplicáveis ao caso as mudanças introduzidas pela Lei Complementar 219/2025, que alterou regras de inelegibilidade. Cunha classificou a decisão como “política” e anunciou que recorreria. A disputa judicial passou, então, a acompanhar a própria campanha.

Enquanto tentava manter sua presença nas ruas e nos eventos políticos, o candidato precisava lidar com uma candidatura submetida à Justiça Eleitoral.

Flávio Bolsonaro entra na campanha

Foi nesse cenário que ganhou peso a aproximação com Flávio Bolsonaro. O apoio passou a ser explorado politicamente durante a campanha e reforçou a associação de Cunha ao campo bolsonarista em Minas Gerais.

Em São Paulo, durante um culto na Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, Flávio Bolsonaro apareceu ao lado de Cunha e fez referência ao papel desempenhado pelo ex-presidente da Câmara no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

A relação política já vinha de antes. Meses anteriormente, Flávio havia estado em Belo Horizonte e concedido entrevista à Maravilha FM, emissora criada por Cunha e que ampliou sua presença em Minas.

A aproximação ganhou visibilidade durante a campanha e passou a integrar a estratégia de Cunha para buscar espaço entre o eleitorado conservador mineiro.

O rádio como instrumento de expansão

A Maravilha FM tornou-se uma das principais peças da estratégia de expansão de Eduardo Cunha em Minas Gerais. A emissora passou a inaugurar estúdios em diferentes cidades e a ampliar sua presença regional. A estrutura de comunicação foi acompanhada por uma agenda política de aproximação com lideranças locais.

Cunha passou a circular pelo interior, participar de eventos e estabelecer relações com políticos e grupos religiosos. Outro movimento ocorreu no futebol. O ex-presidente da Câmara tornou-se patrocinador do Uberaba Sport Club, tradicional equipe do interior mineiro.

A estratégia aproximava sua imagem de uma instituição com forte identificação regional. O objetivo esportivo esperado pelo clube, porém, o acesso à primeira divisão do Campeonato Mineiro, não se concretizou.

O passado que voltou para a campanha

A tentativa de reconstrução política também precisou enfrentar o peso do passado parlamentar. Cassado pela Câmara dos Deputados em 2016 por quebra de decoro parlamentar, Cunha chegou à eleição de 2026 com uma trajetória marcada por controvérsias e processos judiciais.

Esse histórico voltou a aparecer no processo de registro de sua candidatura no TRE-MG

O Ministério Público Eleitoral também apresentou questionamentos relacionados a investigações envolvendo emendas parlamentares. As alegações, entretanto, devem ser tratadas como objeto de investigação, e não como fatos definitivamente reconhecidos pela Justiça.

A defesa de Cunha negou ter direcionado recursos públicos para suas bases eleitorais e sustentou que eventuais decisões sobre emendas seriam de responsabilidade dos parlamentares que formalmente detinham os mandatos.

Uma campanha sob pressão judicial

Mesmo diante das decisões da Justiça Eleitoral, Cunha manteve a campanha. A estratégia era chegar ao dia da votação com o nome nas urnas e aguardar a definição definitiva da Justiça Eleitoral.

A tentativa de retorno ao Congresso não era inédita. Em 2022, Cunha disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo. Naquele ano, recebeu cerca de 5 mil votos e não foi eleito.

Em 2026, a aposta mudou de território. Minas Gerais passou a ser o novo campo eleitoral do ex-presidente da Câmara, que buscou construir uma base própria no estado. A estrutura política, a comunicação regional e as alianças construídas durante a campanha, porém, não foram suficientes para garantir sua eleição.

Pai fora, filha dentro

Enquanto Eduardo Cunha tentava voltar à Câmara por Minas Gerais, sua filha, Dani Cunha, consolidava sua posição política no Rio de Janeiro. Candidata pelo PL, Dani Cunha foi reeleita deputada federal com 116.984 votos, mantendo a presença da família no Congresso Nacional.

O resultado produziu um contraste dentro da própria família: a filha garantiu mais um mandato, enquanto o pai ficou fora da Câmara. A tentativa de repetir uma presença simultânea de pai e filha no Congresso, portanto, terminou de forma diferente da planejada.

O projeto mineiro não se concretizou


Eduardo Cunha apostou em uma combinação de articulação política, apoio de lideranças, comunicação regional, aproximação com o bolsonarismo e presença em diferentes setores da vida pública mineira.

Também enfrentou uma batalha judicial que acompanhou sua candidatura durante o processo eleitoral. No fim, pouco mais de 32 mil votos não foram suficientes para garantir seu retorno à Câmara dos Deputados.

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