Hugo Motta não chegou à Presidência da Câmara dos Deputados por acaso. Antes mesmo de assumir o comando da Casa, o deputado já havia construído uma posição estratégica no núcleo político que articula a sucessão do poder na Paraíba. Ao lado do ex-governador João Azevêdo e do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, tio do governador Lucas Ribeiro, Motta se tornou uma das principais peças da engrenagem que sustenta o projeto político do grupo para 2026.
A influência construída pelo deputado não se limita ao Congresso Nacional. O Republicanos ampliou sua força nas eleições de 2022, conquistando uma das maiores bancadas da Câmara e ampliando sua presença na Assembleia Legislativa da Paraíba. O partido também teve papel importante na eleição de Efraim Filho para o Senado.
No comando da Assembleia Legislativa desde 2019 está Adriano Galdino, também filiado ao Republicanos
O resultado é uma estrutura política que reúne Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa, governo estadual e articulações eleitorais em torno de um mesmo campo político.
Motta abriu mão do Senado, mas não do poder
Hugo Motta chegou a lançar, em 2023, sua candidatura ao Senado. Posteriormente, desistiu da disputa para concentrar esforços na manutenção de seu espaço no comando da Câmara dos Deputados.
A retirada da candidatura não significou, porém, o afastamento da família da disputa majoritária. Seu pai, Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, foi colocado no centro da estratégia para uma das vagas ao Senado. A movimentação ampliou a presença da família Motta na composição da chapa governista e transformou a eleição de 2026 em uma disputa que envolve não apenas cargos, mas a distribuição de poder para os próximos anos.
Lucas Ribeiro também ocupa posição central nesse arranjo como candidato ao Governo do Estado
As revelações que colocaram Motta sob pressão é nesse cenário que ganham dimensão política as revelações da imprensa sobre a relação entre Hugo Motta e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Informações sobre viagens internacionais, utilização de aeronave e de imóvel atribuído a Vorcaro, encontros e jantares, além de um empréstimo de R$ 22 milhões. Também foram divulgadas mensagens que mencionariam a possibilidade de uma sociedade entre os dois.
Em uma das conversas divulgadas, Vorcaro teria chamado Motta de “número 1” e “amigo irmão”. As informações são objeto de apuração e devem ser analisadas a partir dos documentos, das investigações e das versões apresentadas pelos envolvidos.
Mas produz uma consequência política inevitável: coloca sob escrutínio a relação de um dos homens mais influentes da política paraibana com um banqueiro que passou a ser alvo de ampla atenção pública.
E qual será o preço político dessa aliança
É justamente nesse ponto que a eleição paraibana ganha uma dimensão que ultrapassa a disputa entre candidatos. Hugo Motta exerce hoje influência direta na construção da chapa governista. Lucas Ribeiro disputa o Governo do Estado. João Azevêdo busca uma vaga no Senado. Nabor Wanderley também está no tabuleiro eleitoral.
A pergunta que emerge dessa configuração é objetiva: qual será o espaço de Hugo Motta em um eventual governo Lucas Ribeiro.
A resposta poderá revelar muito mais do que uma simples divisão de cargos. Poderá indicar o tamanho da influência que o atual presidente da Câmara pretende manter sobre as decisões políticas e administrativas da Paraíba.
O eleitor precisa conhecer quem está por trás da chapa
Até agora, as revelações envolvendo Motta e Vorcaro não produziram manifestações públicas de grande repercussão por parte de Lucas Ribeiro ou João Azevêdo. Os dois continuam integrados à articulação política que tem Hugo Motta como um de seus principais protagonistas.
Isso coloca uma questão relevante para o debate eleitoral: não basta conhecer os candidatos que aparecem oficialmente na urna. É preciso compreender também quais grupos, partidos e lideranças sustentam cada projeto político.
No caso da Paraíba, Hugo Motta ocupa uma posição que extrapola sua própria candidatura ou a candidatura de seu pai. Ele está no centro de uma engrenagem que reúne interesses eleitorais, estruturas partidárias e alianças construídas ao longo dos últimos anos.
Hugo Motta, João Azevêdo, Lucas Ribeiro e Aguinaldo Ribeiro estão unidos por uma mesma articulação política. A eleição dirá qual será o tamanho dessa aliança, e sobretudo, quanto poder cada um terá no próximo capítulo da política paraibana.

