
Segundo maior colégio eleitoral do país, com potencial para alcançar cerca de 17 milhões de eleitores, foram 16,5 milhões de votantes em 2024. Minas Gerais voltou a se transformar em peça central do xadrez político nacional. Historicamente simbólico, o estado costuma antecipar tendências presidenciais: os candidatos vencedores em Minas frequentemente chegam ao Palácio do Planalto.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para viabilizar um nome competitivo ao governo mineiro em 2026. O principal obstáculo é a resistência do senador Rodrigo Pacheco em disputar o comando do estado.
PT enfrenta paralisia política em Minas
Após meses apostando em Pacheco como principal nome do campo governista, o PT passou a admitir internamente a dificuldade de consolidar a candidatura do senador. A indefinição provocou um ambiente de paralisia política em Minas Gerais e travou articulações regionais importantes.
O novo capítulo da crise ocorreu na noite desta terça-feira, durante reunião entre Pacheco e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em Brasília. Segundo relatos de interlocutores, o senador voltou a afirmar que não pretende disputar o governo mineiro, alegando razões pessoais, familiares e de saúde.
Apesar da sinalização negativa, Pacheco informou que pretende conversar diretamente com Lula antes de tomar uma decisão definitiva sobre o futuro político. Segundo aliados, o senador afirmou que deseja falar com o presidente “o mais breve possível”. Edinho ficou responsável por organizar o encontro ainda nesta semana.
Espera por definição congelou alianças
Nos bastidores, dirigentes petistas avaliam que Minas entrou em um “compasso de espera” depois que Lula assumiu pessoalmente as negociações com Pacheco e evitou discutir alternativas de forma mais ampla.
Deputados federais e lideranças partidárias relatam, sob reserva, que evitaram avançar em alianças regionais enquanto aguardavam uma definição do senador. Presidentes estaduais de siglas como MDB, PDT, União Brasil, PSDB e PP também admitem reservadamente que o cenário político mineiro permaneceu congelado diante da expectativa alimentada pelo PT de que Pacheco ainda poderia aceitar a disputa.
A avaliação dentro da legenda é de que o partido perdeu tempo político enquanto adversários aceleraram seus movimentos no estado. Integrantes do PT descrevem o ambiente atual como um “clima de velório”, após sucessivas demonstrações de resistência do senador ao projeto eleitoral.
Resistência de Pacheco amplia crise no PT
Nos bastidores do partido, cresce a percepção de que o principal entrave não está mais na construção política, mas na própria falta de disposição de Pacheco em disputar a eleição.
Aliados do senador afirmam que ele nunca demonstrou entusiasmo real pela corrida ao governo e sempre revelou desconforto com o ambiente de polarização política e forte exposição nas redes sociais.
O avanço das articulações para levar Pacheco ao TCU aumentou ainda mais a apreensão entre petistas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passou a trabalhar nos bastidores para viabilizar o nome do mineiro para uma futura vaga na Corte de Contas.
Lula passou a afirmar a interlocutores que Alcolumbre “não dá trégua” ao estimular alternativas para afastar Pacheco da disputa estadual.
PT começa a discutir alternativas
Durante a conversa com Edinho Silva, Pacheco também mencionou possíveis alternativas para Minas Gerais, entre elas o empresário Josué Alencar e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
Dentro do PT, dirigentes retomaram discussões envolvendo nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e lideranças da própria legenda em Minas. Parte do partido passou a defender uma candidatura própria caso a saída de Pacheco da disputa seja confirmada.
Direita acelera reorganização em Minas
Enquanto o campo governista segue travado, a direita começou a acelerar sua reorganização no estado. O senador Flávio Bolsonaro decidiu interromper as negociações do PL com o grupo do governador Mateus Simões (PSD) e avançar na construção de uma aliança com o Republicanos.
Ainda não está definido se a cabeça de chapa será o senador Cleitinho Azevedo ou o empresário Flávio Roscoe.
