O escândalo investigado em torno do Banco Maste r passou a atingir também o meio religioso. Denúncias e documentos analisados por investigadores apontam uma possível ligação do caso com a Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, uma das maiores denominações evangélicas do país.

A igreja, liderada pelo pastor André Valadão, aparece no contexto de investigações que apuram suspeitas de crimes financeiros, incluindo possíveis operações envolvendo lavagem de dinheiro e movimentações associadas ao banco investigado. Entre os elementos analisados está a utilização de estruturas financeiras e empresas ligadas ao grupo, como a fintech Clava Forte Bank.


Um dos nomes citados nas apurações é o do pastor Fabiano Zettel, ligado à instituição religiosa. Ele foi preso em operação da Polícia Federal do Brasil no âmbito das investigações.

Expansão da igreja

A Igreja Batista da Lagoinha se expandiu significativamente nos últimos anos e hoje conta com cerca de 600 templos no Brasil e no exterior.

Zettel liderava um dos templos da denominação localizado no bairro Belvedere (zona sul),  em Belo Horizonte. O religioso é casado com a irmã do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado nas investigações como figura central no caso envolvendo o Banco Master.

Segundo informações apuradas, o pastor também teria participado da construção do templo da igreja no bairro, um complexo religioso de aproximadamente 16 mil metros quadrados.

Grupo de mensagens sob investigação

De acordo com as apurações, o nome de Zettel aparece em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, que passou a ser analisado pelos investigadores.

No grupo estariam também Luiz Phillipi Mourão, citado nas mensagens com o apelido de “sicário” — expressão associada a matadores de aluguel — e o policial federal aposentado Marilson Roseno.

Segundo os investigadores, o grupo teria sido utilizado para tratar de monitoramento de adversários, intimidações e planejamento de ações contra pessoas consideradas opositoras do esquema investigado.

Monitoramento e suspeita de invasão de sistemas

As mensagens analisadas indicariam ainda menções a tentativas de acesso irregular a sistemas de instituições públicas, incluindo estruturas da Polícia Federal do Brasil, do Ministério Público Federal e até referências ao Federal Bureau of Investigation (FBI), dos Estados Unidos.

A presença de um líder religioso nas conversas investigadas chamou a atenção dos investigadores e ampliou a repercussão do caso.

Até o momento, a Igreja Batista da Lagoinha não se manifestou publicamente sobre as denúncias. As investigações seguem em andamento para esclarecer o papel de cada um dos envolvidos e a extensão das atividades citadas nas mensagens analisadas.

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