
O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem sinalizado, nos bastidores, preferência pelo lançamento do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, como alternativa do PL ao governo de Minas Gerais em 2026.
A posição chama atenção porque Roscoe é próximo do vice-governador Mateus Simões (PSD), apontado como sucessor natural ao governo e Minas. Simões deve assumir o comando do Estado em março, após o governador Romeu Zema (Novo) deixar o cargo para disputar a Presidência da República.
As anotações do senador Flávio Bolsonaro revelam mais do que simples registros de reunião: expõem o temor estratégico do PL diante do peso eleitoral de Minas. Ao associar o nome do vice-governador Mateus Simões à frase “me puxa para baixo”, o senador deixa transparecer uma avaliação política crua — a de que a disputa mineira pode comprometer o projeto presidencial do grupo bolsonarista em 2026.
Minas não é um estado qualquer. É o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente funciona como termômetro nacional. Perder competitividade ali significa largar atrás na corrida ao Planalto. Não por acaso, o nome de Simões, escolhido por Romeu Zema como sucessor e apoiado por Nikolas Ferreira, enfrenta resistência interna. A preocupação não é ideológica — é matemática eleitoral.
Pragmatismo acima da lealdade
Ao cogitar como alternativa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, o PL sinaliza que prefere um nome com trânsito empresarial e potencial de ampliar alianças. Trata-se de uma escolha pragmática: ampliar pontes, reduzir rejeições e fortalecer o palanque presidencial. O recado implícito é claro — lealdade política não basta se não vier acompanhada de viabilidade eleitoral.
Esse movimento, contudo, tensiona a relação com Zema. Ao flertar com um plano alternativo, o PL demonstra que não pretende ser coadjuvante na definição da candidatura mineira. Quer protagonismo — e, sobretudo, controle sobre o palanque em um estado decisivo.
A sombra de 2026
O pano de fundo é a antecipação da corrida ao Planalto. O possível apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Rodrigo Pacheco (PSD) em Minas e a presença competitiva de Cleitinho (Republicanos) no campo conservador tornam o cenário ainda mais sensível.
As anotações de Flávio podem até ser classificadas como “sugestões”, como ele próprio afirmou. Mas revelam algo maior: o PL já opera com a lógica de que 2026 começou. E, nessa lógica, Minas pode alavancar um projeto nacional — ou puxá-lo para baixo.
São Paulo como extensão da disputa
A mesma lógica aparece em São Paulo. A possível substituição de Felício Ramuth pelo presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), aliado de Valdemar Costa Neto (PL), revela o esforço do partido para ampliar influência sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A anotação “ligar Tarcísio” reforça a ideia de articulação direta, quase cirúrgica.
O documento também menciona o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) como possível candidato ao Senado, identificado pela sigla “EB”. Apesar da anotação, o próprio Flávio registrou dúvidas quanto à viabilidade da candidatura.
A política, nesse contexto, deixa de ser apenas disputa de ideias e se transforma em engenharia de palanques. Cada estado vira peça de um tabuleiro maior. Cada candidatura é medida não pelo currículo, mas pelo impacto no projeto presidencial.
