
Flávio Bolsonaro ganhou nas urnas no primeiro turno e é candidato favorito à Presidência da República. Existe uma desconfiança de que poderá superar Jair Bolsonaro e ser ainda mais radical do que o próprio pai . Não há cenários fáceis à frente para o Brasil. Se o presidente Lula for eleito, poderá enfrentar crises de governabilidade, a menos que tenha capacidade de formar uma coalizão diante de uma direita fortalecida no Congresso.
Maioria no Congresso e mudança da Constituição
Se o eleito for Flávio Bolsonaro, ele terá nas mãos mais instrumentos para realizar o projeto autoritário do pai: bancadas robustas na Câmara e no Senado, um Supremo Tribunal Federal (STF) enfraquecido e o apoio do governo de Donald Trump, presidente do USA .
Nessa trincheira, apenas a imprensa pode impedir que o poder não se curve. A ciência política sabe que é no segundo mandato que um projeto autoritário pode dobrar a aposta. Veja-se o caso de Donald Trump nos Estados Unidos atualmente.
Flávio Bolsonaro já anunciou que, contando com uma maioria no Congresso, deverá promover alterações na Constituição de 1988. A proposta, pelo alcance anunciado, nunca foi cogitada por nenhum ex-presidente, nem mesmo por seu pai, Jair Bolsonaro.
Direitos sociais no centro do debate
Embora não cite especificamente quais seriam os principais direitos que poderiam ser retirados em uma possível nova Constituição proposta por Bolsonaro, a discussão levanta preocupações sobre direitos assegurados pela Constituição de 1988, como o acesso de todos à educação pública e gratuita e à saúde pública gratuita, estruturada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988.
Outro ponto que poderia entrar nesse debate é a estabilidade dos funcionários públicos concursados, prevista pela Constituição para determinadas situações e sob condições específicas.
A eventual mudança desses direitos e garantias abriria um dos maiores debates constitucionais da história recente do país, especialmente porque a Constituição de 1988 estabeleceu uma série de mecanismos destinados a proteger direitos fundamentais e limitar a concentração de poder.
O risco não é apenas de o filho repetir o pai. É de fazer aquilo que o pai sonhou em fazer, mas não teve capacidade para realizar porque encontrou oposição.
A força do PL no Congresso
Só o então PMDB, no começo da redemocratização, teve bancadas maiores do que a que o PL terá na próxima legislatura. Mas o MDB não tinha candidato competitivo à Presidência, e o PL tem Flávio chegando com chances reais de ganhar o pleito no segundo turno. Portanto, será um partido ainda mais forte.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tinha o projeto de ter apenas uma boa bancada para ficar com a parte maior dos fundos partidário e eleitoral. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi eleito por outro partido, o PSL, que o usou como carona. Depois, ele foi para o PL. O partido nunca teve um projeto ideológico.
O desafio de Lula
Se for eleito, Lula enfrentará uma oposição com uma força que jamais enfrentou: uma bancada de 121 deputados e 28 senadores apenas do PL. Para manter a governabilidade e aprovar seus projetos, Lula terá de atrair o centrão e negociar com os parlamentares com os quais seja possível algum diálogo.
A vitória de Lula no segundo turno de 2022 veio com o voto de eleitores progressistas que não se identificavam como petistas e do movimento de personalidades que fizeram parte dos governos do PSDB, que o consideraram a barreira contra o risco de golpe.
Tanto havia perigo de um ataque às instituições que houve o atentado de 8 de janeiro de 2023. Esse grupo depois foi desprezado. O presidente não fez movimentos ao centro. E parte dos eleitores que se identificam com esse grupo pode ter simplesmente deixado de votar.
Lula terá que fazer um caminho muito longo para ser reeleito em 25 de outubro, dado que chegou em segundo lugar, dois pontos percentuais atrás de Flávio Bolsonaro. Terá que recuperar os votos perdidos, convencer uma parte do eleitorado que optou pelos outros candidatos e trazer de volta às urnas quem simplesmente se absteve por falta de interesse em qualquer um dos postulantes.
Mudança na campanha
O presidente do PT, Edinho Silva, admitiu a ausência de material de campanha no primeiro turno e disse que será resolvido. Mas não explicitou nenhum outro movimento de mudança na campanha.
Ele disse que faltou o confronto entre os candidatos no primeiro turno, que desta vez Flávio Bolsonaro não poderá fugir disso, e anunciou a ida de Lula aos debates.
Jair Bolsonaro no governo do filho
Já o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro vai participar ativamente do mandato de Flávio Bolsonaro. Falou que o senador “aprendeu” com o pai e seguirá as mesmas diretrizes sobre como montar equipe e de que maneira governar.
Em outras palavras, um governo de Flávio seria exercido por Jair, que sempre mostrou mão de ferro para comandar o clã. Mesmo preso, foi de Jair Bolsonaro a escolha de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência.