
A possibilidade de um alto índice de abstenção na eleição presidencial deste ano entrou no centro das preocupações das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos bastidores, aliados dos dois grupos avaliam que a ausência de eleitores, principalmente em um eventual segundo turno, pode influenciar diretamente o resultado da disputa.
Em 2022, a taxa de abstenção ficou próxima de 20% do eleitorado. Agora, o receio é que o desgaste dos principais candidatos e um ambiente eleitoral considerado menos mobilizado reduzam ainda mais o comparecimento às urnas.
Lula aposta na mobilização do eleitorado
Na coordenação da campanha petista, a avaliação é de que parte dos eleitores que apoiaram Lula na eleição anterior demonstra frustração com o governo, o que pode diminuir o entusiasmo para votar novamente no presidente.
Para enfrentar esse cenário, a estratégia será reforçar a mensagem de que a participação nas urnas será decisiva para impedir o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
Outro foco da campanha será o eleitorado com mais de 70 anos, faixa etária para a qual o voto é facultativo. Pesquisas internas apontam vantagem de Lula nesse segmento, tornando o comparecimento dos idosos uma prioridade nas ações de mobilização.
Artistas e influenciadores voltam ao radar
A equipe do presidente também pretende recorrer ao apoio de influenciadores digitais, artistas e personalidades públicas para estimular a participação popular.
A estratégia busca recuperar parte do engajamento visto em 2022, quando diversas figuras públicas participaram ativamente da campanha contra o então presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, a comunicação petista deve intensificar a associação entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentando a candidatura do senador como continuidade do projeto político bolsonarista.
Direita também calcula perdas com a abstenção
No campo da oposição, a preocupação segue a mesma lógica. A campanha de Flávio Bolsonaro avalia que, em um eventual segundo turno contra Lula, parte dos eleitores de candidatos como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado e Romeu Zema poderá deixar de comparecer às urnas.
A expectativa da equipe é de que a maior parte desses votos migre para Flávio Bolsonaro na reta final da disputa. Ainda assim, a eventual ausência desse eleitorado é considerada um risco capaz de favorecer Lula em uma eleição apertada.
Rejeição elevada preocupa os dois lados
Outro fator que alimenta a preocupação das campanhas é o elevado índice de rejeição dos principais candidatos. Levantamentos recentes indicam que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram rejeição superior a 40%, o que pode desestimular parte do eleitorado.
Nos bastidores, estrategistas dos dois grupos trabalham com a avaliação de que, mais do que conquistar novos votos, garantir que seus eleitores compareçam às urnas pode ser determinante para definir o próximo presidente da República.
