Querendo repetir o desempenho eleitoral de seu pai, Jair Bolsonaro, na campanha presidencial de 2018, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem intensificado a aproximação com grandes nomes do mercado financeiro — entre eles André Esteves, controlador do BTG Pactual.
No final do ano passado, o pré-candidato à presidência participou de um almoço reservado com cerca de 40 convidados, reunindo empresários e investidores influentes da Faria Lima, principal eixo do setor financeiro no país.
No encontros, comprometeu-se a anunciar até abril um nome de destaque da economia para atuar como seu “Posto Ipiranga” — expressão eternizada por seu pai, Jair Bolsonaro, na campanha presidencial de 2018, quando designou um aliado para liderar a agenda econômica de sua campanha, inspirado em um comercial de TV da rede de postos de gasolina.
Apostando na Faria Lima sem um candidato claro
Os gestos de Flávio têm uma razão objetiva: a Faria Lima mostrou-se órfã após a saída do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) da disputa presidencial. Há uma necessidade de seduzir esse segmento para que não migre seu apoio para adversários.
Em dezembro, quando o senador ainda buscava capital político, a bolsa de valores registrou queda e o dólar disparou após um dos anúncios de Flávio — o que reforça a preocupação dos investidores com a instabilidade de sua candidatura.
Ausência das grandes figuras econômicas
Por ora, as duas estrelas econômicas da era Bolsonaro não demonstram interesse em retornar ao cenário político ativo. Flávio tentou atrair Paulo Guedes em dezembro, mas o ex-ministro reafirmou o desejo de permanecer afastado da vida pública. Outro nome considerado, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, era mais entusiasmado em apoiar um potencial governo de Tarcísio do que uma continuidade do clã Bolsonaro, apesar de já ter negado publicamente tal envolvimento.
Planos B de menor impacto
Sem Guedes e Campos Neto, Flávio tem dois nomes em sua manga — embora com impacto político e econômico muito menores: Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES com passagens pelo Opportunity e BTG Pactual; e o economista Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica de Guedes e ex-ministro de Minas e Energia.
No seu perfil no X, Sachsida tem ganhado relevância ao atacar
Frequentemente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e atacado em rede social por Sachsida. Em 2 de janeiro, a defesa de Jair Bolsonaro solicitou que Sachsida passe a integrar a equipe jurídica do ex-presidente. Caso autorizado por Moraes, ele poderia visitar Bolsonaro na Polícia Federal, como já fazem outros advogados.
Discurso econômico de campanha
Desde dezembro, Flávio tem adotado um discurso econômico clássico de campanha: genérico na maior parte do tempo e pontualmente específico quando convém. Ele defende a privatização dos Correios — estatal deficitária com bilhões em prejuízos — e apresenta metas menos claras em relação à Petrobras.
Em entrevista recente ao influenciador Paulo Figueiredo, sinalizou que, ao analisar a estatal, seria necessário distinguir partes que funcionam daquelas que poderiam ser privatizadas.
Falta de compromissos com ajustes fiscais críticos
Assim como seu pai em 2018, Flávio tem falado em enxugamento de gastos, mas evita comprometer-se com dois temas considerados cruciais pelo mercado financeiro para um ajuste fiscal robusto: Desvincular benefícios da Previdência do salário mínimo; Eliminar os pisos constitucionais de repasses obrigatórios em saúde e educação.
Essa relutância pode ser entendida como uma tentativa de não confrontar setores eleitorais sensíveis, mas também expõe a falta de uma agenda fiscal concreta e consistente.
Em modo de campanha contínua
O senador está em modo eleitoral desde o fim de 2025. Em novembro, numa tentativa de fugir da imagem de “candidato das elites”, votou a favor da proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
No mês seguinte, no Programa do Ratinho (SBT), sugeriu que beneficiários do Bolsa Família continuem a receber o auxílio por dois anos após conseguirem emprego, além de um adicional de R$ 200 para estimular a inserção no mercado de trabalho.