
O cenário da disputa pelo Senado em Minas Gerais pode sofrer uma reviravolta a poucas semanas das eleições. O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que havia anunciado que não concorreria a nenhum cargo em 2026, passou a ser pressionado por lideranças partidárias para retornar à disputa por uma das duas vagas destinadas ao estado.
A articulação ganhou força depois que Marcelo Heringer (PDT), que havia sido registrado como candidato ao Senado na aliança formada por PDT e Federação PSDB-Cidadania, protocolou pedido de renúncia junto à Justiça Eleitoral na quarta-feira (26). O pedido ainda precisa ser analisado e homologado pela Justiça Eleitoral.
Renúncia abre espaço para eventual substituição
Embora o prazo para o registro das candidaturas tenha terminado em agosto, a legislação eleitoral permite a substituição de candidatos em determinadas situações. Entre elas estão a renúncia, o falecimento ou o indeferimento, cancelamento ou cassação do registro.
Segundo as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a substituição, em regra, deve ser requerida até 20 dias antes da eleição, exceto nos casos de falecimento.
Para as eleições de 2026, o prazo para a apresentação de substituições decorrentes de renúncia termina em 14 de setembro. Isso cria uma janela para que a aliança possa indicar um novo nome, caso a renúncia de Heringer seja homologada e Aécio aceite entrar na disputa.
PSDB e PDT fazem apelo público
A pressão para que Aécio volte à corrida eleitoral deixou os bastidores e ganhou manifestação pública. PSDB, Cidadania e PDT divulgaram nota defendendo que o ex-governador reconsidere a decisão de permanecer fora das eleições.
Os dirigentes partidários argumentam que Minas Gerais precisa de uma representação com experiência e capacidade de articulação no Congresso Nacional, especialmente diante de temas considerados estratégicos para o estado, como a dívida de Minas com a União.
Aécio, por sua vez, ainda não confirmou a candidatura. A assessoria do deputado informou que não há decisão definitiva e que, caso ele aceite disputar o Senado, a posição será comunicada oficialmente.
Gustavo Galassi também pode ser afetado
Uma eventual entrada de Aécio poderá provocar novas mudanças na composição da chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
Atualmente, além de Marcelo Heringer, a aliança tem Gustavo Galassi (PSDB) como candidato ao Senado. Com a saída de Heringer, a eventual candidatura de Aécio poderia ocupar a vaga aberta.
Nos bastidores, também existem especulações sobre o futuro de Galassi e uma possível reorganização da chapa, mas ainda não há confirmação oficial sobre uma eventual renúncia do candidato tucano.
De desistente a possível candidato
A movimentação é significativa porque Aécio havia declarado, no início de agosto, que não disputaria nenhum cargo nas eleições deste ano. A decisão marcaria uma pausa em uma trajetória política iniciada há décadas e que inclui mandatos de deputado federal, governador de Minas Gerais e senador.
Agora, a renúncia de Heringer, somada à pressão das principais lideranças da aliança, recolocou o nome do ex-governador no centro da disputa pelo Senado.
A eventual candidatura, entretanto, ainda depende de uma decisão pessoal de Aécio e do cumprimento das etapas formais perante a Justiça Eleitoral.
