
A divulgação de uma pesquisa de intenção de voto no Distrito Federal (DF) abriu uma nova frente de disputa dentro do bolsonarismo. Nos bastidores, aliados do senador Flávio Bolsonaro passaram a usar o levantamento para questionar a viabilidade de uma eventual candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo DF.
O levantamento, realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas, testou o nome da ex-primeira-dama justamente na unidade da federação considerada um de seus ambientes eleitorais mais favoráveis. Mesmo assim, Michelle aparece atrás da senadora Leila Barros (PDT), resultado que foi interpretado por parte do grupo político ligado a Flávio como um sinal de alerta.
Pesquisa alimenta mudança de estratégia
A avaliação de integrantes desse grupo é que uma derrota de Michelle no Distrito Federal teria alto custo político para o bolsonarismo. Com esse argumento, cresce a defesa de que a ex-primeira-dama dispute uma vaga na Câmara dos Deputados, onde as chances de eleição seriam consideradas mais seguras.
O Distrito Federal foi um dos principais redutos eleitorais de Jair Bolsonaro em 2022. Naquele pleito, o então presidente derrotou Luiz Inácio Lula da Silva com ampla vantagem, Damares Alves foi eleita senadora e Ibaneis Rocha garantiu a reeleição ao governo do DF ainda no primeiro turno. Nesse contexto, o desempenho de Michelle na pesquisa passou a ser usado como elemento de pressão para reavaliar sua estratégia eleitoral.
Muito além de uma vaga no Senado
A discussão, porém, vai além da disputa por um cargo. Caso seja eleita senadora, Michelle conquistará um mandato de oito anos e ampliará sua influência na reorganização da direita nacional, passando a ocupar uma posição de destaque no cenário político.
Esse crescimento é visto com cautela por setores do próprio bolsonarismo. Nos bastidores, aliados avaliam que o fortalecimento político de Michelle altera o equilíbrio de forças dentro do grupo liderado por Jair Bolsonaro e pode ampliar sua autonomia em relação aos filhos do ex-presidente.
A disputa, portanto, não envolve apenas a definição da candidatura no Distrito Federal. Também reflete a corrida pela liderança política do campo bolsonarista no período pós-Bolsonaro, em um cenário em que Michelle deixou de ser apenas ex-primeira-dama para se consolidar como uma das principais lideranças da direita brasileira.
