
A eleição de Jair Bolsonaro em 2018, sem uma trajetória política convencional, quebrou paradigmas e reforçou a ideia de que qualquer cidadão pode almejar o cargo mais alto do país. Esse fenômeno parece se consolidar na pré-campanha de 2026, com nomes do entretenimento e do mundo digital sinalizando interesse na corrida presidencial.
Felipe Neto: Do YouTube ao Planalto
O influenciador digital Felipe Neto, conhecido por suas críticas ao governo Bolsonaro e por sua atuação como ativista progressista, anunciou nesta quinta-feira, em um vídeo nas redes sociais, sua intenção de concorrer à presidência. Prometeu revelar mais detalhes sobre o projeto hoje, ao meio-dia.
A declaração viralizou imediatamente, dividindo opiniões. Enquanto apoiadores celebram a possibilidade de um candidato "fora do establishment", céticos questionam se o movimento não seria uma estratégia de engajamento para suas plataformas. Neto, que já se envolveu em debates políticos e até foi alvo de processos judiciais, terá que provar que sua candidatura vai além do marketing.
Gusttavo Lima: "Deus me chamou para ser Presidente"
O cantor Gusttavo Lima, um dos maiores nomes do sertanejo, também entrou no radar eleitoral. Durante uma live emocionada em janeiro, ele afirmou ter "conversado com Deus" sobre a possibilidade de disputar a presidência. Relembrando suas origens humildes, criticou a falta de segurança e infraestrutura no país e declarou: "Só Deus poderia parar um sonho."
Apesar do discurso impactante, Lima não apresentou um plano concreto ou filiação partidária. Sua possível candidatura ainda soa mais como um manifesto do que como um projeto político estruturado.
Pablo Marçal: O empreendedor na corrida
Diferente dos dois anteriores, o empresário e coach Pablo Marçal já tem um partido: confirmou sua pré-candidatura pelo PRTB, legenda que, segundo ele, será rebatizada como "Brasileiro". Marçal tentou concorrer em 2022, mas sua inscrição foi barrada antes mesmo do início oficial da campanha.
Conhecido por frases polêmicas e um estilo agressivo nas redes, Marçal se apresenta como um "outsider" que combateria a corrupção e traria "gestão empresarial" para a política. No entanto, sua falta de experiência institucional e o tom controverso podem ser obstáculos.
O fenômeno dos "não políticos" na política
Essas movimentações refletem um cenário em que figuras externas ao meio político tradicional buscam espaço, alimentando o discurso de renovação. Se em 2018 Bolsonaro capitalizou o antipetismo e o descontentamento com a classe política, em 2026 a insatisfação com o governo Lula e a polarização podem abrir caminho para novos nomes.
Desafios pela frente
Credibilidade: Como convencer o eleitor de que são mais do que celebridades?
Estrutura partidária: Sem alianças sólidas, fica difícil viabilizar campanhas.
Propostas concretas: Discurso emocional não basta – será preciso apresentar projetos.
Se essas candidaturas se confirmarem, a eleição de 2026 promete ser ainda mais imprevisível. Resta saber se o eleitorado brasileiro está disposto a apostar novamente em figuras sem trajetória política ou se buscará nomes com mais experiência institucional.